Arquivado em: The Knife
Dois anos após o lançamento de seu último trabalho, Deep Cuts, o The Knife, formado pelo casal de irmãos Olof Dreijer e Karin Dreijer Andersson, lança Silent Shout, a obra mais interessante da leva escandinava que tomou de assalto as paradas de todo o mundo nos últimos tempos.
O álbum começa com três deliciosas pancadas de baixa freqüência. Junto com a linha de baixo minimalista sobe aos poucos um arpejo (aqueles synths característicos do trance) caloroso que faz a música transbordar de melodia. Em seguida vêm as vozes de Karin, e aí o The Knife está com todos os protagonistas no palco esfumaçado e fantasmagórico de seu melhor álbum.
Silent Shout é cênico do começo ao fim, e seus ares teatrais não ficam apenas nas máscaras deformadas que a dupla usa ou nos shows super produzidos. Melodias que lembram algum ato circense dividem espaço com a voz da cantora, travestida ao longo das 11 faixas das mais diversas formas pelos filtros de Olof. Apesar da impressão de que em certos momentos há vocais masculinos, é sempre a pálida sueca por trás das letras belas e surreais.
Em “One Hit”, por exemplo, é quase impossível não imaginar um palco de teatro com fumaça e espelhos, de onde sai um monstro bonachão cantando com voz grossa e arrastada um blues macabro. “We Share our Mother´s Health”, o primeiro single lançado, começa falsamente IDM, mas logo ganha ares de hit com um baixo suculento, bateria que te obriga a arrancar o pé do chão, e duos vocais entre Karin e seus alter-egos vocálicos. O dinamarquês Anders Trentemoller foi um dos escalados para remixar a faixa, que nas mãos do cara virou um electro-house acelerado derretedor de pistas. “Like a Pen” também engana ao começar contida e tímida, só para explodir depois no refrão acalorado da cantora.
É tanta música boa que quando alguma track fica por minutos a fio preenchida apenas por synths flutuantes e esfumaçados, não é problema nenhum. Às vezes dá até pra lembrar de alguma faixa krautrock setentista onde a melodia é deixada de lado só pelo prazer de manipular freqüências sonoras e desafiar o termo “vendável”.
O álbum termina épico com “Still Light”. Uma nota contínua do sintetizador entra na música e só muda quando Olof coloca o pitch da nota pra baixo e pra cima. Além disso, no arranjo mais simples de todo o álbum, a voz de Karin entra mais uma vez irreconhecível, com ares de declamação.
Se algo mais legal foi lançado em 2006, provavelmente eu deixei de escutar. Não apenas pela sonoridade afiada e por reinventar essa mistura entre música e teatro, mas também por ser simplesmente delicioso de ouvir, Silent Shout é genial. É de fazer cruzar os dedos e desejar com força que os suecos se apresentem por aqui com toda fumaça e ilusão presente no álbum.
|
|
01. Silent Shout |
Arquivado em: The Knife
|
|
01. Heartbeats |